Cobrindo a viagem do prefeito de Londres, Sadiq Khan à Índia e ao Paquistão, o repórter da BBC Karl Mercer perguntou-lhe quando o Khan cruzou a fronteira paquistanesa: “Se sente em casa, prefeito?”. A pergunta parece inocente, mas ela é bastante recorrente por aqui.

A minha vizinha sempre me pergunta se eu viajei “para casa”, mesmo tendo eu morado por tantos anos aqui já.

A diferença – e fato mais grave – na pergunta à Khan é que ele nasceu aqui, a resposta dele foi serena: “Casa é o sul de Londres, amigo”.

O sentido de “home” em inglês é complexo. Pode ser tanto a sua casa atual como o seu lugar de nascença. Mais frequentemente, é usado para mais para o último, o seu lugar “de pertencimento”, independentemente de se morar a milhares de quilômetros.

A BBC saiu em defesa do repórter, dizendo que o Prefeito “entendeu o contexto”. Apaziguador, Khan disse depois que era “uma grande emoção estar em lugares com os quais ele se sentia conectado”.

Ele bem que poderia ter ido mais longe e posto o dedo na ferida em tempos xenófobos de Brexit.

O que é “casa”, afinal? Quando britânicos brancos realmente enxergarão os mais de 35% de estrangeiros que moram em Londres como estando em casa? Até quando esses pensamentos escaparão por um acaso, como na pergunta infeliz do repórter?

 

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