O Lá fora fez um resumo dos principais fatos por trás da recente onda de violência em Londres, o que levou a cidade a ser comparada à Nova York. De fato, foi uma mudança radical do ano passado, pois até então o Reino Unido vivia índices recordes de paz.

1 – As vítimas são jovens, negras ou de minorias étnicas ou religiosas

Embora não haja conotação “racista” óbvia, a maior parte dos recentes esfaqueamentos com morte envolveram jovens negros ou de origem asiática, embora este grupo seja apenas 11% da população. Parte da opinião pública britânica parece confortável com esse fato. Alguns deputados já até reconheceram o fato publicamente. A verdade é que muitos dos casos que ganham destaque são aqueles que envolvem vítimas brancas, como no caso do bancário Oliver Dearlove, morto numa discussão na frente de um pub.

2 – 50 ataques de facas até abril, mas outros crimes também cresceram

Os crimes com faca são historicamente mais recorrentes por inúmeros fatores, incluindo o difícil acesso a armas de fogo. No entanto, ataques com ácido são mais preocupantes porque cresceram mais nos últimos anos, levando a Secretária do Interior a propor que menores não possam comprar ácidos de armazéns de construção. Crimes de motivação racista também aumentaram no rastro do Brexit.

3 – Pouco se sabe, a “cobertura” jornalística local é limitada

Como várias capitais ditas “globais”, Londres atrai muita atenção de fora mas, paradoxalmente, é dada pouca atenção aos seus habitantes. As notícias ditas “locais” são limitadas, com a maioria dos canais de notícias e emissoras reportando sobre os bastidores do poder (especialmente sobre Brexit), mas pouco sobre a sua população “real”, menos ainda sobre minorias, condomínios de baixa renda e imigrantes. Jornais comunitários ou regionais estão em declínio e por isso pouco se sabe dos fatores ou dos antecedentes destes crimes. A análise, muitas vezes, vêm da mídia de fora ou da dita “alternativa” como a Al Jazeera.

4 – As redes sociais estariam por trás (?)

A comissária da Polícia Metropolitana, Cressida Dick, que governa a segurança na capital, atribuiu a recente escalada ao papel das mídias sociais em incentivar o crime, por permitir o rápido agravamento de rixas e disputas. Ela não citou qualquer evidência que subsidiasse a sua opinião, num momento em que a Polícia enfrenta críticas pela falta de diversidade em seus quadros e pelo excesso de violência na abordagem a cidadãos negros. Dick estava no comando da operação que vitimou o brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com um terrorista. Nenhum policial britânico foi punido pois o disparo foi dito como “dentro da lei”.

5- Histórico de violência nas comunidades do leste

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Stephen Lawrence

Os bairros mais atingidos pela recente onda de violência, Hackney e a região leste, são exatamente de onde saem os maiores números de vítimas (embora os índices sejam baixos comparativamente ao Brasil, por exemplo). O histórico, no entanto, inclui casos emblemáticos. É o caso de Stephen Lawrence, morto aos 19 anos enquanto esperava um ônibus. Acredita-se que por motivos racistas, muito embora a falta de uma solução rápida e eficiente para este caso baseie o argumento de gangs que pregam saques e violência nas ruas. Grupos de proteção e ONGs defendem uma nova abordagem para a violência na cidade, uma que leve em consideração os sentimentos de rancor e exclusão de grupos de jovens vistos por grupos conservadores como apenas “violentos”.

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