Musa, as causas que me aponta, o ofenso nume/ Ou por que magoa a soberana deia/ Compele na piedade o heroi famoso/A lances tais passar, volver tais casos/Pois tantas iras em celestes peitos! (livro 1, verso 15, A Eneida)

Vírgilio (70.a.c. – 19 a.c.) foi um dos grandes poetas da antiguidade e autor de A Eneida. Quem diria que hoje seria ele, o heroi famoso, também a merecer a nossa piedade!

Neste fim de semana de julho de 2019 fui à Nápoles e tive a honra de visitar o local onde acredita-se que seja a sua tumba. Infelizmente, o lugar encontrava-se coberto pelo mato e fechado para visitantes.

Embora não haja consenso sobre se este é mesmo o local de sepulto do poeta, já que nunca foram encontradas cinzas ou outro material arqueológico mais evidente, há sempre o peso da tradição.

Foi nesta localidade de Piedigrotta que Virgílio quis que fosse feita a sua sepultura porque ele guardava uma ligação afetiva com o lugar. Foi lá onde ele teve casa por vários anos. Místico, acreditava que a Posilipo tivesse poderes mágicos.

A este pé de montanha vieram Petrarca, Bocaccio, entre outros poetas ilustres prestar homenagens ao autor que elevou a língua latina ao máximo do seu lirismo.

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Crédito: Blog Lá Fora

O “túmulo”, por assim dizer, é uma pequena torre de pedras com janelas encravadas, mas do qual só se pode ver ao alto.

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Crédito: Blog Lá Fora

A tumba obedece ao mesmo padrão de construções romanas antigas: Prédios retângulares e com o topo achatado, no que deveria ser uma construção ambiciosa e a par da fama do sepultado.

Na entrada, a passagem para dentro do túnel está interditada, mas é possível ver alguns nichos, onde deveria existir pequenas urnas funerárias ao longo do caminho. Este era um hábito dos antigos romanos. Nesses nichos há afrescos ou pinturas de santos, provavelmente feitas no período medieval.

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Crédito: Blog Lá Fora

A vegetação cobre uma placa inscrita em latim que data do alto medievo. Acima dela, existe provavelmente uma dedicatória romana. 

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Crédito: Blog Lá Fora

A tumba de Virgílio está localizada num parque bem arborizado ao pé da montanha, mas não é possível entrar ou ao menos ver o que há dentro da imensa caverna onde ficam outras sepulturas ou subir para apreciar a antiga construção.

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Crédito: Blog Lá Fora

Vê-se andaimes e ouve-se morcegos por toda parte. Dentro da caverna está a necropole neapolitana, onde repousaram os restos de outras famílias romanas da época. Ficaram os nichos e traços da construção.

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Crédito: Blog Lá Fora

O acesso fica lado de um túnel moderno muito movementado, construído paralelamente ao chamado “túnel de Posilipo”. Ele foi construído como alternativa à essa passagem. O túnel de Posilipo foi originalmente escavado pelos romanos para ligar Neapolis à Putteoli (hoje Pozzuoli), do outro lado de Pedradigrotta. Foi utilizado até o século XIX. Lá, encontrei muito lixo e mendigos morando próximo da ponte.

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Crédito: Blog Lá Fora

Mesmo assim, os poucos visitantes que se aventuram acabam sendo recompensados pelas belas vistas da cidade ao fundo valem a pena.

O Parco Vergiliano fica atrás da estação ferroviária Mergellina da Trenitalia e também hospeda a sepultura do poeta e pensador italiano Giacomo Leopardi (1798-1837).

 

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